Notícias

Amante de Bruno mentiu ao dizer para Ana Maria Braga que não viu mais bebê de Eliza, diz laudo

 

Única dos nove indiciados pela polícia mineira nas investigações sobre o desaparecimento e homicídio de Eliza Samudio que está em liberdade, Fernanda Gomes de Castro, 32, mentiu quando disse que não viu mais o filho de Eliza depois de ter tomado conta do bebê. Ela deu essa declaração em entrevista à apresentadora de TV Ana Maria Braga no programa "Mais Você", da Rede Globo, no último dia 22 de julho (quinta-feira da semana passada). Antes de desaparecer, Eliza tentava provar na Justiça que o goleiro Bruno, do Flamengo, era o pai da criança, então com quatro meses de vida. O delegado que comanda as investigações pediu hoje a prisão preventiva de Fernanda.

Laudo elaborado com base em um programa de exame de frequência de voz concluiu que ela não disse a verdade em alguns momentos da entrevista. Um desses momentos é o trecho em que ela diz não ter mais visto o bebê depois de, a pedido de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão (também indiciado no inquérito), ter tomado conta dele. O laudo foi produzido voluntariamente pela empresa Truster Brasil, especializada em tecnologia de análise de voz. Um computador verifica os índices de estresse na fala de uma pessoa e aponta se ela diz a verdade. O perito em veracidade Mauro Nadvorny, que elaborou o laudo, afirma que o trecho em que Fernanda diz não ter mais visto o bebê é o que mais chama a atenção na entrevista.

Leia a seguir a transcrição do trecho da entrevista em que Fernanda conta como Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão, pediu para que ela cuidasse do filho da jovem.

 

FERNANDA GOMES DE CASTRO: “Eu estava em casa e recebi uma ligação do Macarrão pedindo que eu fosse à casa dele porque ele estava muito nervoso. Ele estava nervoso no telefone. Perguntei se tinha acontecido alguma coisa e ele disse que não estava se sentindo bem, vem aqui por favor. Fui para lá sozinha. Quando cheguei lá ele, ele falou: ‘estou precisando da sua ajuda, uma amiga minha se machucou em um assalto, e ela foi pro hospital, pediu pelo amor de deus, que ela não tem parente aqui, que eu tomasse conta do bebê, e eu não sei cuidar de criança’, e aí deixou o bebê comigo... Ele disse que era uma amiga dele. Ele me ligou da casa do Bruno. O Bruno tinha ido treinar e foi se concentrar, junto com o time do Flamengo, porque ele iria jogar no sábado. Perguntei: ‘Ela vai demorar muito?’ Eu questionei, ele disse: 'Não ela está no hospital, esse assalto que ela sofreu, ela acabou se machucando e ela foi pro hospital'."

ANA MARIA BRAGA – E ele nem disse o nome da pessoa?
FERNANDA: "Não, falou que era uma amiga dele. E eu como não conhecia nenhuma amiga dele aqui no Rio, eu ainda perguntei. Ele falou assim: 'É uma amiga minha que mora aqui na Barra'. Acabei dormindo lá com o neném, fiquei na casa do Bruno com o neném."

ANA MARIA BRAGA – Não tinha mais ninguém na casa?
FERNANDA - “Não tinha ninguém. Não que eu percebesse, porque eu transitei pelos cômodos da casa."

ANA MARIA BRAGA - O Bruno mora com quem nesta casa?
FERNANDA  - “Com o macarrão."

ANA MARIA BRAGA - Ah, o macarrão mora lá com ele?
FERNANDA  - "Mora. E com esse primo dele, o mais novo, que estava morando lá porque teve alguns problemas na casa dele e estava morando lá."

ANA MARIA BRAGA - Aí você passou a noite lá. O Bruno chegou...
FERNANDA - "Não, não, o Bruno não chegou não. Ele estava concentrado pra jogar no sábado, eles não voltam pra casa. Eu passei a noite lá com o neném. Quando eu acordei, eu questionei o Macarrão: 'Macarrão, até agora a moça está no hospital? Cadê a menina? Cadê a mãe da criança que não vem? Eu tenho que ir embora'. Ele: “Não, ela me ligou já, tá tudo bem com ela, só que ela foi pra delegacia pra registrar queixa do assalto', ele me disse. Aguardei mais um pouco, dei banho no neném."

ANA MARIA BRAGA - E o neném, como é que tava?
FERNANDA - "Bem cuidado. Uma criança muito calma. Quando eu cheguei lá à noite ele tava chorando. Deveria ser fome. Eu troquei a fraldinha dele e dei a mamadeira pra ele. Ele ficou calminho, dormiu a noite toda, muito calminho. E quando eu questionei de manhã: 'Cadê a mãe da criança?'. Ele falou isso, que a mãe havia ligado pra ele, e que estaria prestando depoimento na delegacia sobre o assalto."

ANA MARIA BRAGA - Você ficou lá no outro dia também?FERNANDA - "Não, fui embora por volta de meio-dia."

ANA MARIA BRAGA - E levou a criança com você?

FERNANDA - "Não, deixei com ele, porque eu tinha que ir em casa, até porque tinha que pegar meu filho e arrumar a mala para poder viajar à noite com o Bruno. Deixei o neném com ele. Fui pra casa. Ele disse: 'Não tem problema não, ele tá dormindo, a mãe dele jé deve estar vindo pra buscá-lo aqui’. Fui pra casa me arrumar, pegar minhas bolsas e pegar meu filho, que nem quis ir comigo viajar, e voltei pra lá por volta de 5, 6 horas da tarde."

ANA MARIA BRAGA - E você não falou com o Macarrão ou com o Bruno nesse meio tempo?

FERNANDA - "Não, quando o Bruno está concentrado ele não pode falar no telefone. E aí, o Macarrão, quando eu voltei, eu perguntei pela criança. Falei: 'E aí, a mãe já pegou?'. Ele: 'Já pegou, graças a Deus ela tá bem'."

ANA MARIA BRAGA - A criança não estava mais?
FERNANDA
 - Não estava mais lá.

ANA MARIA BRAGA - Foi a única vez que você viu a criança?
FERNANDA 
- Foi a única vez que vi a criança. Não tive mais nenhum contato com a criança.

Algumas conclusões do laudo de análise de voz: Fernanda está sendo verdadeira na maior parte do relato do dia em que foi chamada para ajudar Macarrão que havia ficado com uma criança de uma amiga. No entanto, não está sendo verdadeira quando afirma que Macarrão “pediu” a ela que tomasse conta da criança. Fernanda provavelmente não está sendo verdadeira quando afirma que não teve mais contato com o neném. Neste ponto ela está bastante constrangida com sua resposta."

Equipamentos de análise de voz da Truster Brasil são utilizados por serviços de inteligência policial no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. A técnica também já foi utilizada para ajuda em decisões judiciais.

Um outro laudo elaborado por Nadvorny há dez dias apontou que uma delegada que investigava o caso não havia dito a verdade em alguns pontos de uma entrevista que deu com exclusividade ao programa "Fantátisco", da Globo. Um desses trechos era o em que ela falava sobre o sangue encontrado num colchão nas buscas que a polícia fizera no sítio do goleiro Bruno em Minas Gerais. Alguns dias depois da constatação do laudo da Truster, o resultado de um laudo da polícia apontou que o sangue no colchão não era de Eliza Samudio


Fonte: rineu Machado Do UOL Notícias Em São Paulo

Mais notícias
 << Voltar